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Mais de 100 pessoas participaram da reunião de trabalho, realizada na 2a Tecnovitis, em Bento Gonçalves, que contou com organização do Sindicato Rural da Serra Gaúcha, presidido por Elson Schneider (na foto, ao microfone). Foto: Martha Caus/Ibravin

Qualificação da produção, remuneração adequada e gargalos da comercialização norteiam audiência pública do setor vitivinícola

09 de Dezembro de 2017


Documento contendo as necessidades imediatas para desenvolvimento da cadeia produtiva foi redigido durante a reunião de trabalho realizada na 2a Tecnovitis, nessa sexta-feira (8), em Bento Gonçalves

A necessidade de implantação de parâmetros de produção de qualidade e remuneração adequada às condições da matéria-prima cultivada permeou os pronunciamentos e debates ocorridos durante a audiência pública conjunta das frentes parlamentares federal e estadual de apoio à cadeia produtiva vitivinícola, realizada nessa sexta-feira (8), em Bento Gonçalves. A reunião de trabalho ocorreu durante a 2a Feira de Tecnologia para a Viticultura (Tecnovitis) e contou com a presença de, aproximadamente, 110 produtores rurais, profissionais da área, parlamentares e dirigentes de entidades representativas do setor da uva e do Vinho da região.

O pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando da Silva Protas, fez uma explanação da situação atual da produção brasileira de uva e seu impacto na produção e comercialização de vinhos. “Estamos há muito tempo discutindo as relações entre os produtores de uva e do vinho e uma infinidade de temas pertinentes ao setor, mas a cadeia produtiva ainda se encontra em uma situação ainda não considerada desejável.  O setor precisa de uma política própria pois, dentro da realidade do agronegócio brasileiro, tem características de produção e logística que o tornam diferente”, ponderou Protas.

O presidente do Ibravin, Dirceu Scottá, concordou com as manifestações do dirigentes que representam os produtores sobre o preço pago pela uva, mas ponderou que é preciso analisar as condições da indústria no contexto atual. “Estamos verificando um aumento das importações em patamares históricos e que tem dificultado as vendas de vinho brasileiro. É preciso remunerar melhor o produtor mas também compreender as dificuldades da indústria”, reiterou. 

As entidades e as frentes participantes da audiência formularam uma carta elencando os principais temas debatidos, considerados de grande relevância atual para o desenvolvimento da cadeia produtiva. Entre os tópicos do documento (em anexo) constam a remuneração ao viticultor adequada à qualidade da uva entregue, fomento à utilização de tecnologia para produção de matéria-prima e produtos derivados da uva, suporte à pesquisa de clones de variedades que compõem a base produtiva regional, financiamento (antigo Empréstimos do Governo Federal - EGF) com juros controlados, preço mínimo da uva condizente aos custos de produção, qualificação da gestão das propriedades rurais, implantação do Modervitis e ampliação de recursos para projetos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). 

 

Promoção internacional do enoturismo

Aa assinatura de um Termo de Intenções entre o Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur) e o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) para a promoção do enoturismo nas ações e eventos internacionais nos países de interesse comercial considerado estratégico para o Brasil deu início à audiência pública das frentes parlamentares.

O documento foi assinado pelo presidente do Ibravin, Dirceu Scottá, e o  assessor Sergio Flores de Albuquerque, representando o presidente da Embratur, Vinícius Lummertz. O dirigente, que participava da 19º Reunião de Ministros de Turismo do Mercosul, em Maceió (AL), gravou uma mensagem em vídeo exibida em telão, celebrando o convênio e se comprometendo a auxiliar no impulsionamento da atividade.  “Estaremos construindo uma agenda que leve ao mundo os esforços dos setores de vinhos e frutas brasileiras para o Exterior e, com isso, leve a marca das regiões produtoras, com sua qualidade e seus produtos. A Embratur está junto com esse projeto em cada passo que ele andar”, declarou Lummertz.